Jabuti, tartaruga e cágado: Quais são as diferenças entre eles?

Você sabe diferenciar um jabuti de uma tartaruga ou de um cágado? Embora esses animais sejam muito parecidos à primeira vista, eles apresentam diferenças importantes no formato do casco, nas patas, na maneira de se movimentar e, principalmente, no ambiente em que vivem.

Todos pertencem ao grupo dos quelônios, répteis caracterizados pela presença de um casco que protege grande parte do corpo. No entanto, cada grupo desenvolveu características próprias para se adaptar à vida terrestre ou aquática.

Por Mundo AUnimal – 26 de Outubro de 2026

Alguns são encontrados em florestas e áreas abertas, enquanto outros passam boa parte da vida em rios, lagos ou oceanos. Essas diferenças influenciam desde a alimentação até a reprodução e a forma como esses animais interagem com o ambiente.

Neste artigo, você vai descobrir como identificar jabutis, tartarugas e cágados, conhecer suas principais características e entender o que considerar antes de pensar em ter um desses animais como companheiro.

Qual é a principal diferença entre jabuti, tartaruga e cágado?

A principal diferença está na adaptação ao ambiente em que vivem. Os jabutis são terrestres, os cágados geralmente são semiaquáticos e as tartarugas incluem espécies aquáticas de água doce e marinha.

Embora essa classificação seja útil para reconhecer os animais, existem particularidades entre as espécies. Por isso, observar o conjunto de características físicas e comportamentais é mais confiável do que considerar apenas um detalhe.

De maneira geral, podemos diferenciá-los assim:

Jabuti: Vive principalmente em terra firme, possui patas curtas e robustas e um casco geralmente alto e arredondado.

Cágado: Vive principalmente em ambientes de água doce, costuma alternar entre a água e a terra e apresenta características que facilitam a natação.

Tartaruga: Inclui espécies marinhas e de água doce, com membros adaptados à locomoção aquática. As tartarugas marinhas, por exemplo, possuem nadadeiras que funcionam como remos.

Essas características ajudam a identificar os três grupos, mas não devem ser tratadas como regras absolutas para todas as espécies.

1. Jabuti: O quelônio que vive em terra firme

O jabuti é um réptil terrestre encontrado em diferentes regiões do Brasil. Ele pode habitar florestas, áreas de vegetação aberta e outros ambientes terrestres, dependendo da espécie.

Seu corpo apresenta adaptações que facilitam a locomoção em terra firme. Ao contrário de muitos quelônios aquáticos, ele não possui patas em formato de nadadeiras.

1.1. Características físicas do Jabuti

Uma das características mais fáceis de reconhecer é o formato das patas. Elas são curtas, fortes e relativamente grossas, com aparência que lembra pequenas colunas.

Essa estrutura ajuda o animal a sustentar o peso do corpo e do casco durante suas caminhadas.

O casco do jabuti costuma ser alto e arredondado, formando uma estrutura resistente que protege seu corpo. Na parte superior fica a carapaça, enquanto a parte inferior é chamada de plastrão.

Assim como outros quelônios, o jabuti possui um bico córneo sem dentes, utilizado para cortar e triturar os alimentos.

1.2. Onde o jabuti vive?

Os jabutis vivem em ambientes terrestres, mas as condições ideais variam de acordo com a espécie.

No Brasil, dois exemplos conhecidos são:

Jabuti-piranga (Chelonoidis carbonaria): Apresenta escamas avermelhadas ou alaranjadas na cabeça e nas patas, embora a intensidade dessas cores varie entre os indivíduos. Ocorre em diferentes regiões da América do Sul, incluindo áreas brasileiras.

Jabuti-tinga (Chelonoidis denticulata): Costuma apresentar marcas amareladas nas escamas da cabeça e das patas. Está associado principalmente a ambientes florestais úmidos, especialmente na região amazônica brasileira.

Essas espécies desempenham funções ecológicas importantes, incluindo a dispersão de sementes. Ao consumir frutos e eliminar suas sementes em outros locais, os jabutis podem contribuir para a regeneração da vegetação.

1.3. O que o jabuti come?

Os jabutis são onívoros, embora muitos apresentem uma dieta com forte participação de vegetais.

Dependendo da espécie, podem consumir frutos, folhas, flores, fungos e pequenos invertebrados, entre outros alimentos.

Sua alimentação precisa ser compatível com as necessidades nutricionais da espécie. Uma dieta improvisada, composta apenas por frutas ou restos de comida, pode causar problemas de saúde.

1.4. O jabuti pode viver na água?

O jabuti pode entrar em águas rasas para beber ou se refrescar, mas não é um animal adaptado à vida aquática.

Apesar de conseguir atravessar pequenas áreas alagadas em determinadas circunstâncias, ele não deve ser colocado em um lago profundo ou em um recipiente cheio de água como se fosse uma tartaruga aquática.

Essa distinção é fundamental: um ambiente inadequado pode representar riscos à segurança e à saúde do animal.

2. Tartaruga: Um grupo com espécies marinhas e de água doce

O termo tartaruga é utilizado para diferentes quelônios aquáticos. Entre eles estão as tartarugas marinhas e diversas espécies de água doce.

Esses animais apresentam adaptações que favorecem a natação, mas suas características variam conforme a espécie e o ambiente em que vivem.

2.1. Características físicas das tartarugas

Nas tartarugas marinhas, os membros dianteiros são transformados em nadadeiras alongadas, que permitem impulsionar o corpo na água. Os membros traseiros também auxiliam na direção e na estabilização durante a natação.

O casco apresenta um formato adaptado à locomoção aquática, embora sua forma varie entre as espécies.

As tartarugas de água doce apresentam maior diversidade. Algumas possuem patas com dedos e unhas, enquanto outras apresentam membranas entre os dedos ou adaptações mais especializadas para nadar.

Por isso, nem todas as tartarugas possuem nadadeiras grandes como as espécies marinhas.

2.2. Onde as tartarugas vivem?

As tartarugas marinhas passam praticamente toda a vida no oceano, retornando à terra para colocar seus ovos nas praias.

Já as espécies de água doce habitam rios, lagos, igarapés e outros ambientes aquáticos. Algumas passam muito tempo na água, mas também utilizam áreas terrestres para tomar sol, descansar ou desovar.

No Brasil, existem diferentes espécies de quelônios aquáticos, incluindo representantes conhecidos da fauna amazônica.

Entre eles está a tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa), uma espécie de água doce encontrada na bacia amazônica e em outras áreas da América do Sul.

2.3. O que as tartarugas comem?

A alimentação varia bastante entre as espécies.

Algumas tartarugas marinhas consomem principalmente algas e plantas marinhas, enquanto outras se alimentam de águas-vivas, crustáceos, moluscos e outros animais.

Nas espécies de água doce, a dieta também pode incluir vegetais, frutos, invertebrados e pequenos animais aquáticos.

Não existe, portanto, uma única dieta que sirva para todas as tartarugas. As necessidades alimentares devem ser avaliadas de acordo com a espécie.

2.4. As tartarugas precisam sair da água?

Sim, dependendo da espécie.

As tartarugas marinhas precisam chegar à terra para desovar, mas não utilizam as praias da mesma maneira que os quelônios de água doce utilizam margens, troncos e pedras para descansar ou tomar sol.

Muitas tartarugas de água doce precisam de áreas secas acessíveis para se aquecer e realizar atividades importantes para a saúde.

A necessidade de acesso à terra, assim como a profundidade da água e as condições do ambiente, depende das características de cada espécie.

3. Cágado: O quelônio que combina a vida aquática e terrestre

Os cágados são quelônios geralmente associados a ambientes de água doce. Muitas espécies apresentam hábitos semiaquáticos, passando parte do tempo na água e parte em terra firme.

Eles são encontrados em rios, lagos, lagoas, brejos e outros ambientes aquáticos, dependendo da espécie.

No Brasil, existe uma grande diversidade de cágados, com diferentes tamanhos, formatos e hábitos alimentares.

3.1. Características físicas dos cágados

Uma característica comum em muitos cágados é o casco relativamente achatado, que favorece a movimentação na água.

Suas patas frequentemente apresentam membranas entre os dedos, ajudando na natação. Entretanto, a forma dos membros varia conforme a espécie.

Outra característica importante está na movimentação do pescoço.

Muitos cágados pertencem ao grupo dos pleurodiros, que recolhem a cabeça dobrando o pescoço lateralmente, em vez de puxá-lo diretamente para trás, alinhado ao corpo.

Essa característica ajuda a distinguir vários cágados de outros quelônios, embora a identificação correta também dependa de outras características anatômicas.

3.2. Onde os cágados vivem?

Os cágados geralmente ocupam ambientes de água doce, como rios, lagos e lagoas.

Algumas espécies preferem águas tranquilas, enquanto outras conseguem viver em locais com correnteza.

Muitos precisam de áreas onde possam sair da água, descansar e se aquecer. Troncos, pedras e margens podem ser utilizados para essas atividades quando fazem parte do habitat natural da espécie.

A qualidade da água, a disponibilidade de alimento e a presença de locais adequados para descanso são fatores importantes para a sobrevivência desses animais.

3.3. O que os cágados comem?

A alimentação depende da espécie.

Existem cágados predominantemente carnívoros, que consomem pequenos peixes, crustáceos, insetos aquáticos, moluscos e outros invertebrados.

Outros apresentam alimentação onívora e também consomem matéria vegetal.

Por isso, não é correto presumir que todos os cágados se alimentam da mesma maneira ou que uma dieta baseada exclusivamente em peixes seja adequada para qualquer espécie.

3.4. Os cágados são bons nadadores?

Muitas espécies são excelentes nadadoras.

O formato do casco e a estrutura dos membros ajudam a reduzir a resistência da água e facilitam a movimentação.

No entanto, a habilidade de nadar não significa que todas as espécies possam viver em qualquer tipo de aquário ou lago.

A profundidade, a correnteza, a temperatura e a disponibilidade de áreas para descanso precisam ser compatíveis com as necessidades do animal.

4. O que jabutis, tartarugas e cágados têm em comum?

Apesar das diferenças, esses animais compartilham várias características importantes.

4.1. Todos são répteis

Jabutis, tartarugas e cágados pertencem ao grupo dos répteis e à ordem Testudines, também conhecida como Testudinata em determinadas classificações.

São animais ectotérmicos, ou seja, dependem de fontes externas de calor para regular a temperatura corporal.

Por isso, a exposição adequada ao calor e a possibilidade de procurar locais mais frescos são importantes para seu funcionamento fisiológico.

4.2. Todos possuem casco

O casco é uma das características mais marcantes dos quelônios.

Ele é formado por estruturas ósseas integradas ao esqueleto e revestidas por tecidos que variam conforme a espécie. Não se trata de uma carapaça solta que o animal possa abandonar.

A parte superior é chamada de carapaça, enquanto a parte inferior recebe o nome de plastrão.

O casco oferece proteção, mas também faz parte da estrutura corporal do animal. Por isso, qualquer rachadura, lesão ou alteração significativa precisa ser avaliada por um profissional habilitado em animais silvestres.

4.3. Todos respiram por pulmões

Mesmo as espécies que passam grande parte da vida submersas respiram ar atmosférico por meio dos pulmões.

Algumas tartarugas aquáticas conseguem permanecer debaixo d’água por períodos prolongados, mas isso não significa que possam viver permanentemente sem acesso à superfície.

O tempo de submersão varia de acordo com a espécie, a temperatura, o nível de atividade e outras condições fisiológicas.

4.4. Todos colocam ovos

Os quelônios são ovíparos. As fêmeas depositam seus ovos em locais adequados para o desenvolvimento dos embriões.

Dependendo da espécie, a postura pode acontecer em praias, margens de rios ou solos terrestres.

Em muitas espécies, não há cuidado parental prolongado após a postura. A escolha do local para o ninho e as condições ambientais são fundamentais para o desenvolvimento dos filhotes.

5. Jabuti, tartaruga e cágado podem ser animais de estimação?

Essa é uma dúvida comum, especialmente entre pessoas que procuram animais diferentes para criar em casa.

A resposta depende da espécie, da origem do animal e das regras ambientais aplicáveis.

No Brasil, a manutenção de um quelônio como animal de estimação não deve ser decidida apenas porque ele está à venda ou porque alguém já possui um exemplar.

É necessário verificar se a espécie pode ser comercializada legalmente e se o fornecedor está autorizado a realizar essa atividade.

5.1. A importância da origem legal

Antes de adquirir um jabuti, uma tartaruga ou um cágado, verifique a documentação exigida para a espécie e para a operação de venda.

Quando aplicável, solicite a nota fiscal, o certificado de origem e os documentos de identificação do animal. A marcação individual, por anilha ou microchip, pode ser exigida conforme as regras pertinentes.

Em São Paulo, os procedimentos de autorização e controle da fauna também podem envolver o órgão ambiental estadual.

Não compre animais de vendedores informais, feiras clandestinas ou anúncios que não permitam verificar a procedência.

A retirada de quelônios da natureza pode prejudicar populações silvestres e contribuir para o tráfico de animais.

5.2. Eles precisam de cuidados específicos

Mesmo quando a criação é permitida, esses animais exigem condições adequadas de alojamento, alimentação, temperatura e iluminação.

Um jabuti precisa de espaço terrestre apropriado, enquanto muitas tartarugas e cágados necessitam de instalações aquáticas com áreas de descanso e condições de qualidade da água compatíveis com a espécie.

Além disso, alguns quelônios vivem por muitas décadas. A decisão de adquirir um desses animais precisa considerar o compromisso de longo prazo e os custos de manutenção e atendimento veterinário.

Importante: Nunca solte um quelônio de estimação em rios, lagos, parques ou outros ambientes naturais. A soltura pode disseminar doenças, introduzir espécies não nativas e prejudicar a fauna local. Se não puder mais cuidar do animal, procure orientação do órgão ambiental competente ou de um centro de atendimento à fauna silvestre.

Conclusão

Jabutis, tartarugas e cágados pertencem ao mesmo grande grupo de répteis, mas apresentam adaptações diferentes para viver em terra firme ou em ambientes aquáticos.

O jabuti é predominantemente terrestre e possui patas robustas. As tartarugas incluem espécies marinhas e de água doce, muitas delas com membros adaptados à natação. Já os cágados são geralmente associados à água doce e, em muitas espécies, combinam atividades aquáticas e terrestres.

Conhecer essas diferenças é importante não apenas para identificar os animais, mas também para compreender suas necessidades e respeitar seu modo de vida.

Se você pensa em ter um desses quelônios como animal de estimação, informe-se sobre a espécie, a legalidade da criação e os cuidados necessários antes de tomar qualquer decisão.

Conhecer um animal é o primeiro passo para respeitá-lo e contribuir para sua conservação.